Dói. É como se não coubesse ali no peito e ficasse apertadinho. É como se você apertasse com suas próprias mãos. Mas que mãos? Que você? Ele só dói, ele chora através de meus olhos, e eu nem sei porquê.
Perdi a vontade. Ele não tem mais piedade de mim. Não quer mais levantar. O corpo já não tem vontade de sair da cama. Até os olhos já perderam a vontade de ver a luz do dia. Ele só precisa de cuidado, mas do MEU cuidado. Não sei das horas, dos dias, de nada, nem de ninguém, mas eu sei do que ele preciso, e até onde eu chegaria se fizesse. Ele até começou, se arrastou, atracou. É como se ele estivesse morto, tão cedo, já pela manhã, não deu chance dos ponteiros alcançarem o Sol a pino.
Não se apaixona. Não consegue. Tá sentindo falta do que ele procura mas não acha. Quem foi que fez essa bagunça aqui? Cadê todo mundo? O que aconteceu? Não vamos nos celebrar ? Não. Ele não quer, ele não gosta, ele fica aqui, quietinho….Talvez seja isso, talvez seja o que ele quer, o que ele procura. Ele quer mesmo é ficar
SÓ.

Meu querido…
Falta tão pouco tempo, que até me falta o ar.
Estava pensando em nós hoje. Era pensamento longe. Queríamos a mesma coisa. O mesmo desejo. Que vontade de te ligar e contar as novidades. Arranjei um emprego. E você se acertou por aí? Faz tanto tempo. Aqui o tempo esta quente, estou com aquele ventilador ligado. É, aquele mesmo que você nunca consertou. Te pedi tantas vezes.
Vi aquele teu amigo hoje na rua. Tomamos um café. Ele me disse que você se casou. Te desejo sorte. Sei que isto esta longe de ser um assunto meu, mas não use aquela sua blusa laranja, com o cabelo bagunçado. Você fica horrendamente lindo. Ei, não questione. Só não quero que desfile por aí parecendo um mamão. Que confortável!
E, aliás, arrumei o armário, a casa e o coração. Achei vestígios de você por aqui. Pegue suas coisas, leve o cachorro e devolva meu coração. O vizinho ta a fim de me levar para jantar. Quero ser livre, encosto. É uma forma bem gostosa de tratar uma pessoa, né? Meu bem, nenhuma magoa ficou. Tenha certeza. Estou tão livre como naquele dia que nos conhecemos. Você me odiou na certa, derrubei suco de laranja em você. Foi os R$2,50 mais bem gastos que eu fiz. O perdi para ganhar um jantar contigo. Porque to te escrevendo? Ué, você ta tão longe. Eu parei de ter uma vida agitada depois que se foi. Não por tristeza, mas porque no meio de tantos risos altos, pessoas, cervejas e cigarros. Ainda quero você. Por perto. Do lado. Colado. Te liguei ontem. Você não atendeu. Eu sorri tanto com isso. Você continua me amando. Até mudou de número. Ta fugindo, porque? Ta, eu sei. Você de um lado e eu do outro. Pra uma garota escrota como eu, falar de sentimentos é difícil, você sabe. Quase engasguei para dizer o primeiro “eu te amo” da nossa relação. Eu prometi aprender com os nossos erros. Ta doendo.
Só queria te avisar, que acabou a comida por aqui. Passe no mercado… Eu sei. Você sabe. Estou enrolando para te pedir… Volta? Na casa, no coração e com roupas no armário. Eu te amo tanto…
Levarei esta carta no carreio amanhã. Te contei tudo que precisava. Se for voltar, se esqueça do vizinho. E traga um café, flores (você sabe qual) e você inteiro, sem mágoas ou pendências.
Falta tão pouco tempo, que até me falta o ar.
Espero-te, com o amor de sempre.
Obs: Têm bolo na geladeira, um chá gelado e alguém que nunca te esqueceu aqui. Esperando-te.
Um grande beijo.
- Sua pequena! (Não tão pequena assim)
(Alice Leme)



29 Disse-lhe ele: Vem. Pedro, descendo do barco, e andando sobre as águas, foi ao encontro de Jesus.
30 Mas, sentindo o vento, teve medo; e, começando a submergir, clamou: Senhor, salva-me.
31 Imediatamente estendeu Jesus a mão, segurou-o, e disse-lhe: Homem de pouca fé, por que duvidaste?
32 E logo que subiram para o barco, o vento cessou.
33 Então os que estavam no barco adoraram-no, dizendo: Verdadeiramente tu és Filho de Deus.
Pedro olhou para seus problemas e não olhou para frente, não olhou para Jesus Cristo. Seus problemas e medos foram maiores do que sua fé, e foi ai que Pedro começou a afundar.
Nenhum problema e nenhum medo devem ser maiores do que a sua fé, já que nenhum problema e nenhum medo são maiores do Jesus Cristo. Não olhe mais para o seus problemas, olhe para frente, caminhe e descanse nos braços de Jesus Cristo e tudo vai ser acertar.

Toda segunda-feira é um poço de querer. De querer mais cama, de querer mais família, mais futebol, mais macarrão, mais festa, 5 minutinhos a mais, mais filme, mais irresponsabilidade e de querer menos também, menos trabalho, menos tarefa, menos compromisso, menos estresse e menos dias na semana.
Essas coisas podiam acontecer só na segunda-feira, mas sempre queremos mais ou menos do que já nos é garantido. Ser humano é mesmo peão escravo das suas próprias vontades, do seu próprio consumismo, da sua própria falta e das suas invenções. Nessa segunda-feira chuvosa e fria de hoje, mas comum qualquer outra, sou embalada pelo arrependimento das coisas que não fiz, das coisas que fiz em abundancia e das coisas que apenas deixei passar. Segundas-feiras nunca vão mudar.
O segundo dia da semana se arrasta preguiçoso com resquícios do que já foi ou do que vai ser. É o dia de limpar a bagunça do estádio, a sujeira das grandes badernas nas avenidas, as garrafas largadas por mãos de embriagados de felicidade ou de tristeza.
Sou cercada das segundas-feiras no seu modo figurativo, apenas embutida nas coisas, nas razões e nas pessoas. Sou segunda feira, preguiçosa e carregada do que já vivi, para repetir em outros cenários, as mesmas histórias com diferentes soluções até que eu me encontre e venha a terça feira.
Terça-feira é o dia de levar as coisas mais a sério, de jogar água na cara e passar o dia ligado no que está acontecendo. Nas terças ainda carrego um quê de preguiça mas as coisas começam a funcionar. Terças são comuns e reflexivas, são a calmaria, são o nada.
As quartas-feiras sempre vêm assim, sendo o ápice da atividade, da ansiedade, da surpresa, da animação, do futebol, da reclamação do cansaço da mesmice, da exercício físico e até ápice das novelas. Quartas são a cara do brasileiro empurrado que parece se esforçar mais no que faz nas quartas achando que a festança da vizinha ou com os amigos vai chegar mais rápido. Quartas são os dias pra fazer as coisas funcionarem.
Daí chega as quintas cheias de expectativas, arrastando as sextas de falsidade, comunhão, alegria, bebedeira ou não, dos sem hora pra voltar, dos baladeiros, dos beijoqueiros, dos caseiros, dos brasileiros, dos gringos, do capitalismo, das risadas, das brincadeiras, do violão, dos DJs, do excesso.
Tudo bem, não entre em pânico porque o sábadão chegou, mas se preocupe porque você vai piscar e quando abrir os olhos, será domingo. Mas mesmo assim, sábado é o dia da fofoca, da reposição de energias, de acordar tarde ou pros pouco sortudos o último dia de trabalho da semana. Sábado vem com as festanças também, mas já é um pouco mais desgastante pelo menos pra mim.
Dominguera, churrasco na grelha, futebol na praia, sítio com a família, futebol na televisão acompanhada daquelas 2 horas e meia de olhos vidrados na televisão e de expectativa pelo resultado, é o dia de família e do futebol, mas a preguiça e os dias de ônibus lotado já vem vindo e é segunda-feira.
Quando se é jovem, nos queremos mesmo é que o fim de semana dure 5 dias e a semana 2, parecemos sempre extasiados de tudo. Temos amigos demais, queremos sempre trocá-los pois nenhum parece bom, temos muito amor dos pais, sempre reclamamos daquela falta de compreensão do que achamos que é certo, temos muito dever, precisamos de mais fins de semana. É engraçado falar de algo que sei, e que você também sabe, você já passou por isso e sabe como somos adaptados as nossas semanas, ao que vivemos, e não são os dias que são descritos assim, somos nós. Nós os preguiçosos, baladeiros, os DJs, os cristãos, os negros, os brancos, os homossexuais ou não.
As semanas não são iguais, nós somos iguais, e isso é tão claro que se torna difícil de notar que nos fazemos apenas o que nos é imposto e não nos atrevemos a sair de nossas zonas de conforto e mudar as coisas. Aposto que você não é a favor do preconceito, que não está satisfeito com a nossa política, que reclama da programação chula da televisão, de como o ser humano é cruel com o meio-ambiente, e que se sente mal quando alguém passa de você, mas eu também aposto que não faz nada mais do que lhe é imposto porque sabe que por mais que sejamos iguais é difícil alguém te ouvir e entender, você se rendeu, você não se permite. Sou igual a maioria dos seres humanos, e eu aguardo todas as segundas-feiras que, cheias de esperança e de incentivo por mudanças, estão abrindo os olhos dos que vêm as tragédias passando durante a semana e trazem os resquícios de felicidade do que de bom se viveu pra trazer a visão esperançosa de que tudo vai mudar.
Não deixe de fazer algo por poder fazer pouco, faça tudo o que puder e não rejeite os dias ou pessoas porque são dias disso ou pessoas daquilo. Se permita e não se limite. Seja autêntico, seja único. Sonhe muito para solucionar seus problemas e perseguir os seus desejos e realize-os para saborear o que há de melhor, viva e reviva cada dia, seja o que você quer pros seus dias e pra humanidade.
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Ter fé e ver coragem no amor
Eu gosto de manter a honestidade, eu odiaria te deixar em dúvida. Eu sou constante como as estações e eu jamais serei esquecido. Não vamos deixar nada sem ser dito e guardar os arrependimentos para os feridos. Tudo que eu quero é um lugar para chamar de meu, para consertar os corações de quem se sente sozinho, você sabe, mantenha suas esperanças lá no alto e a sua cabeça lá embaixo.
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